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Na reunião de 6 de Setembro de 2007, o Conselho do BCE decidiu, com base nas suas análises económica e monetária regulares, deixar inalterada, em 4.00%, a taxa mínima de proposta aplicável às operações principais de refinanciamento do Eurosistema. As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito também não foram alteradas, permanecendo em 5.00% e 3.00%, respectivamente. A informação disponibilizada desde a última reunião do Conselho do BCE confirmou que as perspectivas de médio prazo para a estabilidade de preços continuam sujeitas a riscos ascendentes, tal como identificado pelas suas análises económica e monetária. Os dados macroeconómicos disponíveis confirmam igualmente os fundamentos sólidos da economia da área do euro e apoiam uma perspectiva de médio prazo favorável para o crescimento real do PIB. Neste contexto, a orientação da política monetária do BCE ainda permanece acomodatícia, registando-se, nomeadamente, um vigoroso crescimento da moeda e do crédito na área do euro. Em simultâneo, a volatilidade dos mercados financeiros e a reavaliação dos riscos observadas nas últimas semanas conduziram a um aumento da incerteza. Face a este elevado grau de incerteza, convém reunir informação adicional e analisar novos dados antes de se retirar mais conclusões em termos de política monetária no contexto da estratégia de política monetária do BCE orientada para o médio prazo, que visa garantir a estabilidade de preços. Assim, o Conselho do BCE acompanhará muito atentamente todos os desenvolvimentos. Com base na sua avaliação e actuando com firmeza e atempadamente, o Conselho do BCE assegurará que os riscos para a estabilidade de preços a médio prazo não se concretizem e que as expectativas de inflação a médio prazo permaneçam firmemente ancoradas em níveis compatíveis com a estabilidade de preços. Tal reveste-se ainda de maior importância nos momentos de volatilidade dos mercados financeiros e de incerteza acrescida. No que se refere aos mercados financeiros, o Conselho do BCE continuará a prestar grande atenção à sua evolução nos próximos tempos.
Começando pela análise económica, os dados disponíveis sugerem que a actividade económica na área do euro continua a expandir-se a taxas sustentadas. No segundo trimestre, o crescimento real do PIB da área do euro registou uma moderação, situando-se em 0.3% em termos trimestrais em cadeia, face a 0.7% no trimestre anterior. É, todavia, necessário ter em devida conta a volatilidade destas taxas de crescimento. Assim, o crescimento económico durante o conjunto do primeiro semestre de 2007 esteve em linha com o crescimento potencial. Os dados sobre a actividade no terceiro trimestre, obtidos através de diversos inquéritos à confiança e de estimativas baseadas em indicadores, mantêm-se globalmente favoráveis e corroboram a avaliação no sentido de um crescimento real do PIB a taxas sustentadas. Em particular, os dados mais recentes relativos ao desemprego são favoráveis e os níveis de todos os indicadores de confiança até ao mês de Agosto foram elevados. Espera-se que a actividade económica mundial permaneça robusta, dado que o provável abrandamento nos Estados Unidos deverá ser amplamente compensado pela persistência do forte crescimento dos mercados emergentes, o que continuará a apoiar as exportações e o investimento da área do euro. Além disso, o crescimento do consumo na área do euro deverá registar novo fortalecimento ao longo do tempo, em linha com a evolução do rendimento disponível real, à medida que as condições do mercado de trabalho vão melhorando. Assim, face ao impacto potencial global da crescente volatilidade dos mercados financeiros e da reavaliação dos riscos na economia real, é necessário um acompanhamento adequado da evolução económica.
Esta perspectiva reflecte-se também nas projecções macroeconómicas para a área do euro de Setembro de 2007 elaboradas por especialistas do BCE, que pela primeira vez incluem Chipre e Malta. De acordo com as projecções, o crescimento real médio anual do PIB deverá situar-se num intervalo entre 2.2% e 2.8% em 2007 e entre 1.8% e 2.8% em 2008. Em comparação com as projecções de Junho dos especialistas do Eurosistema, o intervalo projectado para o crescimento real do PIB em 2007 foi revisto ligeiramente em sentido descendente, reflectindo sobretudo o pressuposto de preços do petróleo um pouco mais elevados e condições de financiamento do mercado algo mais restritivas devido a prémios de risco médios mais elevados.
Na perspectiva do Conselho do BCE, os intervalos avançados evidenciam bem a incerteza geral subjacente às projecções económicas, facto que importa realçar no contexto da actual volatilidade dos mercados financeiros. Considera-se que os riscos associados a estas projecções para o crescimento económico sejam descendentes. Estes riscos descendentes estão sobretudo relacionados com um impacto potencialmente mais alargado da actual reavaliação dos riscos nos mercados financeiros, com desequilíbrios a nível mundial e pressões proteccionistas, bem como com novos aumentos dos preços do petróleo e das matérias-primas.
No que respeita à evolução dos preços, de acordo com a estimativa provisória do Eurostat, a inflação homóloga medida pelo IHPC situou-se em 1.8% em Agosto de 2007, sem alterações face ao mês precedente. Contudo, é provável que, até ao fim do corrente ano, as taxas de inflação aumentem de novo para valores superiores a 2%. De acordo com as projecções de Setembro de 2007 elaboradas por especialistas do BCE, a inflação homóloga medida pelo IHPC situar-se-á entre 1.9% e 2.1% em 2007 e entre 1.5% e 2.5% em 2008. Em 2008, espera-se que a redução do impacto dos impostos indirectos e dos preços dos produtos energéticos seja compensada por pressões mais elevadas dos custos unitários do trabalho. Em comparação com as projecções de Junho de 2007 dos especialistas do Eurosistema, os novos intervalos para 2007 e 2008 situam-se dentro dos intervalos anteriormente projectados.
O Conselho do BCE considera que os riscos quanto a estas perspectivas para a evolução dos preços se encontram do lado ascendente. Estes riscos ascendentes incluem aumentos dos impostos indirectos superiores aos previstos até à data e novas subidas dos preços do petróleo e dos preços dos produtos agrícolas. Mais importante ainda, poderá verificar-se uma evolução salarial mais forte do que o esperado e um aumento do poder de fixação dos preços nos segmentos de mercado com concorrência reduzida, o que acarretaria riscos ascendentes para a estabilidade de preços. É, pois, fundamental que todas as partes envolvidas continuem a assumir as suas responsabilidades. A potencial concretização destes riscos – ou a sua atenuação – exige um acompanhamento atento.
A análise monetária confirma a prevalência de riscos ascendentes para a estabilidade de preços em horizontes a médio e a mais longo prazo. À luz dos últimos dados disponíveis (referentes ao período até final de Julho), a taxa subjacente da expansão monetária e do crédito permanece forte. Tal reflecte-se no rápido crescimento do agregado monetário largo M3, que cresceu a uma taxa homóloga de 11.7% em Julho, e no vigor dos empréstimos de instituições financeiras monetárias (IFM) ao sector privado, que continuam a registar taxas de crescimento de dois dígitos numa base anual.
Na identificação e avaliação das tendências subjacentes à expansão monetária relevantes em termos de política, é importante ver para além da volatilidade de curto prazo e do impacto de factores transitórios na evolução de determinados agregados monetários. Assumindo a adequada perspectiva mais abrangente e a médio prazo, são várias as indicações de que os aumentos das taxas de juro de curto prazo nos últimos trimestres influenciaram a evolução monetária. Por exemplo, aumentos das taxas de curto prazo contribuíram para uma expansão mais modesta do M1, visto que o custo de oportunidade de detenção das componentes mais líquidas do M3 aumentou. Além disso, as taxas de curto prazo mais elevadas conduziram a alguma estabilização do crescimento do crédito das IFM ao sector privado, embora este continue a apresentar taxas homólogas de dois dígitos, tendo o crescimento do endividamento das famílias registado uma moderação devido ao abrandamento da dinâmica dos preços da habitação e da actividade imobiliária. No entanto, esta evolução ainda não atenuou a taxa de expansão monetária global, uma vez que a menor inclinação da curva de rendimentos tornou os activos monetários mais atractivos do que os instrumentos menos líquidos com prazos mais longos, provocando assim um aumento do crescimento do agregado monetário largo. Além disso, o crescimento dos empréstimos a sociedades não financeiras demonstrou um vigor renovado nos últimos meses.
Na actual conjuntura, importa sublinhar que a volatilidade dos mercados financeiros pode exercer temporariamente uma influência considerável sobre a dinâmica monetária. Em episódios anteriores, as percepções e atitudes do sector privado face ao risco, bem como o comportamento de carteira resultante, afectaram fortemente a evolução monetária. Os dados monetários referentes a Julho podem já ter sido parcialmente influenciados por essas considerações de carteira, sendo possível que o mesmo venha a acontecer de forma ainda mais acentuada em relação aos dados referentes a Agosto que serão divulgados em finais de Setembro. No entanto, como demonstrado no passado, uma análise aprofundada e abrangente dos dados monetários pode contribuir para um melhor entendimento do impacto da evolução financeira na evolução monetária e ajudar a identificar no crescimento monetário os sinais relevantes em termos de política no que diz respeito às tendências inflacionistas a mais longo prazo. Nestas circunstâncias, a abordagem abrangente adoptada pelo BCE na sua análise monetária é absolutamente fundamental.
No geral, o persistente vigor da expansão subjacente monetária e do crédito aponta para riscos ascendentes para a estabilidade de preços a médio e a mais longo prazo. A evolução monetária continua, portanto, a exigir um acompanhamento muito atento.
Resumindo, o cruzamento da informação identificada na análise económica com os resultados da análise monetária confirmou a existência de riscos ascendentes para a estabilidade de preços a médio prazo – no contexto dos fundamentos sólidos da economia da área do euro. Por conseguinte, a orientação da política monetária do BCE ainda permanece acomodatícia, registando-se, nomeadamente, um vigoroso crescimento da moeda e do crédito na área do euro. Ao mesmo tempo, face ao elevado grau de incerteza, é necessária informação adicional antes de se retirar novas conclusões em termos de política monetária. Assim, o Conselho do BCE acompanhará muito atentamente todos os desenvolvimentos. Com base na sua avaliação e actuando com firmeza e atempadamente, o Conselho do BCE assegurará que os riscos para a estabilidade de preços a médio prazo não se concretizem e que as expectativas de inflação a médio prazo permaneçam firmemente ancoradas em níveis compatíveis com a estabilidade de preços. No presente contexto, reveste-se ainda de maior importância que as expectativas de inflação permaneçam firmemente ancoradas em níveis compatíveis com a estabilidade de preços. No que se refere aos mercados financeiros, o Conselho do BCE continuará a prestar grande atenção à sua evolução nos próximos tempos.
Em termos de política orçamental, os progressos na consolidação orçamental estrutural permanecem lentos e existe o risco de que alguns países adoptem políticas orçamentais expansionistas pró-cíclicas. Para a execução dos orçamentos de 2007 e o planeamento dos orçamentos de 2008, é essencial que os erros cometidos durante a anterior recuperação económica de 1999/2000 não se repitam. Os países que actualmente apresentam desequilíbrios orçamentais devem corrigi-los de acordo com os requisitos estabelecidos no Pacto de Estabilidade e Crescimento. O compromisso assumido pelo Eurogrupo com vista a alcançar os objectivos orçamentais de médio prazo em 2008 ou 2009 e, o mais tardar, até 2010, tem de ser respeitado por todos os países participantes na área do euro. Os países que já alcançaram situações orçamentais sólidas deverão evitar políticas orçamentais pró-cíclicas.
No que respeita a reformas estruturais, o Conselho do BCE acolhe com agrado os novos esforços no sentido de aumentar a capacidade produtiva da área do euro através de mais emprego. Os mercados de trabalho da área do euro deram sinais evidentes de progresso nos últimos anos, reflectindo em parte o impacto de anteriores reformas no mercado de trabalho. São, todavia, necessários mais progressos com vista a melhorar a mobilidade ocupacional e geográfica da mão-de-obra e a criação de competências de forma a superar as taxas de participação no mercado de trabalho comparativamente baixas e as taxas de desemprego ainda elevadas em alguns países e regiões.
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